Robô da Nasa em Marte confirma existência de sedimentos de lagos antigos no planeta vermelho

Dados coletados pelo rover Perseverance da NASA confirmaram a existência de antigos sedimentos lacustres na Cratera Jezero em Marte, de acordo com um estudo publicado na sexta-feira (26). Esses sedimentos foram depositados pela água que outrora encheu a bacia gigante da cratera. As descobertas, baseadas em observações de radar de penetração no solo realizadas pelo rover, corroboram imagens orbitais anteriores e outros dados que sugerem que partes de Marte já foram cobertas por água e poderiam ter abrigado vida microbiana.

O estudo, liderado por equipes da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e da Universidade de Oslo, foi publicado na revista Science Advances. A pesquisa utilizou varreduras do subsolo feitas pelo Perseverance durante vários meses de 2022, enquanto o rover atravessava a superfície marciana desde o fundo da cratera até uma área adjacente com características sedimentares semelhantes aos deltas de rios encontrados na Terra.

As sondagens do radar RIMFAX do rover permitiram aos cientistas obter uma visão transversal das camadas rochosas até 20 metros de profundidade. “É quase como olhar para um corte de estrada”, explicou David Paige, cientista planetário da UCLA e primeiro autor do estudo. Essas camadas fornecem evidências claras de que sedimentos transportados pela água foram depositados na cratera de Jezero e em seu delta, assim como acontece nos lagos da Terra.

As descobertas reforçam a teoria de que Marte, hoje frio e árido, já foi quente, úmido e potencialmente habitável. Os cientistas aguardam ansiosamente a análise das amostras de sedimentos de Jezero, que se acredita terem sido formadas há cerca de 3 bilhões de anos, e que serão futuramente transportadas para a Terra pelo Perseverance.

O estudo recente valida a escolha do local de pouso do rover para a investigação geobiológica. As análises iniciais das amostras perfuradas pelo Perseverance em quatro locais próximos ao ponto de pouso, em fevereiro de 2021, surpreenderam os pesquisadores ao revelar rochas vulcânicas, em vez de sedimentares, como era esperado. No entanto, esses estudos não são contraditórios. As rochas vulcânicas apresentavam sinais de alteração devido à exposição à água, e os cientistas que publicaram essas descobertas em agosto de 2022 argumentaram que os depósitos sedimentares poderiam ter sofrido erosão.

De fato, as leituras do radar RIMFAX encontraram sinais de erosão antes e depois da formação das camadas sedimentares na borda oeste da cratera, evidência de uma história geológica complexa. “Havia rochas vulcânicas no local de pouso”, disse Paige. “A verdadeira notícia é que agora dirigimos até o delta e estamos vendo evidências desses sedimentos lacustres, que é uma das principais razões pelas quais viemos para este local. Portanto, é uma história feliz nesse aspecto.”